
CAPOEIRA ANGOLA
カポエィラ・アンゴーラ
A Filosofia e a Transmissão da Capoeira Angola
“Angola” é a vertente da Capoeira que valoriza de maneira especial a africanidade, a tradição e a ancestralidade, preservando e transmitindo seu caráter ritual e expressivo. Quando a Capoeira, historicamente transmitida pela oralidade, começou a sofrer grandes transformações no contexto da modernização, mestres experientes, na década de 1940, organizaram-na como “Capoeira Angola” para proteger sua essência e os valores considerados fundamentais. A figura central amplamente reconhecida nesse processo é Mestre Pastinha.
Não se tratou apenas de preservação, mas de uma reafirmação consciente e filosófica. Desde então, a Angola vem sendo transmitida ininterruptamente de mestre para discípulo como um dos pilares fundamentais da cultura afro-brasileira.
Uma das grandes características da Angola de Pastinha está em sua filosofia. Ele negava o aspecto violento da Capoeira e defendia uma “Capoeira com amor”, que não exige ferir o outro. Para além do movimento e da música, compreendia a Capoeira como um caminho de aprendizado para a vida, registrando seus pensamentos em palavras, poemas, textos e pinturas para as gerações futuras.
Nela encontramos a sabedoria ancestral, a não violência, a inteligência para evitar o perigo e ensinamentos profundos expressos como metáforas de cuidado e amor. Esse espírito permanece vivo na prática até hoje.
Espiritualidade, Ancestralidade e Comunidade
O que valorizamos especialmente nos ensinamentos de Mestre Pastinha são a espiritualidade e a ancestralidade.
A Capoeira é uma cultura oral, na qual sensibilidade e filosofia são transmitidas através do convívio com o mestre. Não apenas a técnica, mas também a postura, a distância, a respiração e a maneira de estar no mundo são compartilhadas.
Outro elemento indispensável da Angola é a comunidade e o respeito ao outro. A roda não é um espaço de competição, mas um espaço construído coletivamente. Todos os participantes são essenciais e respeitados como presenças únicas.
A prática contínua ao longo do tempo aprofunda o autoconhecimento e conduz ao crescimento e à transformação interior. A roda — ao mesmo tempo ritual e jogo — é o espaço onde esse aprendizado se manifesta.
Diversidade de Linhagens
Hoje, a Capoeira Angola não se limita à linhagem direta de Mestre Pastinha, nem está restrita a Salvador, no estado da Bahia, onde ele atuava.
Em diferentes regiões, ela é preservada e transmitida de múltiplas formas, cada qual com sua própria história e filosofia. Essa diversidade é, por si só, a força da Angola e um reflexo da riqueza da cultura afro-brasileira.
A FORMAÇÃO
カポエィラ・アンゴーラの形成
A Capoeira Angola surgiu de um processo de preservação e reafirmação de tradições que estavam ameaçadas pela modernização. Do final do século XIX ao início do século XX, à medida que a Capoeira passava por urbanização e institucionalização, mestres que valorizavam seus fundamentos rituais, musicais e filosóficos de matriz africana buscaram proteger as formas mais antigas da prática.
Na década de 1940, esse movimento foi sistematizado sob o nome de “Capoeira Angola”. A figura central desse processo foi Mestre Pastinha, fundador do Centro Esportivo de Capoeira Angola, em Salvador. Ele afirmou a Angola não apenas como um estilo antigo, mas como uma tradição cultural e filosófica enraizada na ancestralidade, na ética e no respeito.
A Angola não foi uma criação nova, mas sim a nomeação e organização consciente de uma prática tradicional já existente. Caracteriza-se pela ritualidade, pelo jogo baixo e estratégico, pela malícia, pela musicalidade e pelo forte sentido de comunidade. Representou também uma forma de resistência cultural e de reafirmação da identidade afro-brasileira.
Na década de 1980, em meio ao avanço da esportivização e da competição, os valores tradicionais voltaram a correr risco de enfraquecimento. Como resposta, Mestre Moraes fundou o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP) no Rio de Janeiro e, posteriormente, junto com Mestre Cobramansa, impulsionou a revitalização da Angola em Salvador. Eles abriram novamente espaços para mestres mais antigos e reconectaram saberes e culturas corporais que estavam em risco às novas gerações.
Após esse período de revitalização, a Angola passou a ser compreendida não apenas como técnica corporal, mas como uma prática cultural que preserva a memória histórica e reafirma a dignidade.
A partir da década de 1990, a Angola expandiu-se para a Europa e os Estados Unidos, difundindo-se internacionalmente por meio de iniciativas como a Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA). Nesse contexto mais amplo, o Grupo Nzinga de Capoeira Angola foi fundado em São Paulo, em 1995, pela Mestra Janja.
Hoje, a Capoeira Angola não é apenas transmissão de técnica. Ela se espalhou pelo mundo como uma cultura que carrega história, filosofia e ancestralidade. Ultrapassa o rótulo de “arte marcial brasileira” e continua a encarnar a memória e a dignidade da diáspora africana.
INSTRUMENTOS
カポエィラ・アンゴーラの音楽性
Uma das características mais marcantes da Capoeira é sua musicalidade.
Aqui apresentamos os instrumentos utilizados na Capoeira Angola.
Berimbau
O berimbau é um instrumento de origem africana em forma de arco. Um vergalhão de aço é esticado sobre uma vara de madeira, e uma cabaça oca é acoplada como caixa de ressonância. O ritmo é produzido ao bater na corda com uma baqueta. É o instrumento central da Capoeira, especialmente presente no Nordeste do Brasil. Assim como a própria Capoeira, é conhecido como um instrumento trazido pelos africanos escravizados.
A afinação varia de acordo com a tensão da corda e o tamanho da cabaça, sendo dividido em três tipos. Em nosso grupo, chamamos esses tipos de gunga, médio e viola.
Não se sabe ao certo quando o berimbau passou a ser utilizado na Capoeira, mas acredita-se que tenha sido incorporado entre o final do século XIX e o início do século XX. A origem do nome “berimbau” é atribuída às línguas bantas Kikongo e Kimbundu.
Pandeiro
O pandeiro é feito a partir de um aro circular de madeira com pele esticada. Ao bater na pele, é possível produzir sons graves e agudos para compor o ritmo.
No aro há pequenas peças metálicas chamadas platinelas, que produzem um som característico ao chacoalhar. É semelhante ao tamborim ou à pandeireta e é muito utilizado no samba.
Agogô
O agogô é um instrumento de ferro semelhante a um sino duplo, conhecido pelo seu som agudo. É tocado alternando-se as duas campanas metálicas para manter o ritmo. Também é utilizado na religião afro-brasileira Candomblé.
Rêco-rêco
O rêco-rêco é semelhante ao güiro. Geralmente feito de bambu com ranhuras, produz som ao ser raspado com uma pequena baqueta.
Atabaque
O atabaque é um tambor alto e alongado, semelhante ao conga, geralmente coberto com couro de boi. Assim como o agogô, é um instrumento sagrado central nos rituais do Candomblé.
Seu formato e tamanho influenciam a afinação, permitindo a produção de sons que vão do grave ao agudo. Nos rituais de Candomblé, três atabaques são tocados simultaneamente para criar ritmos complexos, utilizados na comunicação com as divindades.
