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HISTÓRIA DA CAPOEIRA

カポエィラの歴史

Uma Cultura Corporal de História e Resistência

A Capoeira não é simplesmente uma cultura que “nasceu” no Brasil.
Ela é o resultado vivo do encontro de inúmeros povos africanos trazidos à força — suas culturas, danças, rituais e técnicas corporais misturaram-se, transformaram-se e sobreviveram em solo brasileiro.

Do século XVI ao final do século XIX, estima-se que cerca de dez milhões de africanos foram forçados a atravessar o Atlântico pelo tráfico negreiro português. Sustentando a economia colonial baseada no açúcar, na mineração e no café, foram submetidos a trabalho brutal, violência e à negação sistemática de sua dignidade humana.

No entanto, aquilo que estava inscrito em seus corpos não pôde ser arrancado.

Pessoas de diferentes origens étnicas encontraram-se em várias regiões do Brasil. Suas danças, técnicas de combate, ritmos e visões de mundo cruzaram-se e foram reconstruídas. A Capoeira formou-se nesse processo de mistura e recriação. Mais do que uma invenção nova, foi a continuidade de memórias culturais interrompidas que encontraram novas formas de existir.

Em uma sociedade onde armas eram proibidas e a vigilância era constante, as pessoas disfarçaram sua prática como “dança”, aperfeiçoando-a como forma de defesa e resistência. A Capoeira tornou-se uma resistência corporal e cultural contra a dominação.

Nas canções vivem as memórias ancestrais; nos ritmos pulsa uma temporalidade africana. A roda não é apenas um círculo — é um espaço onde pessoas fragmentadas reencontram a comunidade.

A Capoeira não inicia a história negra na escravidão. Ela mantém conexão com as civilizações e espiritualidades africanas anteriores a esse período. É uma cultura que lamenta o que foi roubado, mas também afirma aquilo que jamais pôde ser roubado.

A alma da Capoeira é a memória corporal de quem não abriu mão da liberdade.
E ela permanece, ainda hoje, como prática viva de sobrevivência cultural e resistência.

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Negros Lutando (1820–1824) / Brasis: Augustus Earle

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Roda de Capoeira: Johann Moritz Rugendas (1835)

Proibição, Reorganização e Continuidade

Em 1888, a escravidão foi abolida no Brasil. No entanto, apenas dois anos depois, em 1890, a Capoeira foi criminalizada pelo novo Código Penal, passando a ser proibida em espaços públicos. Na prática, essa política também visava reprimir danças, músicas e práticas religiosas da população afro-brasileira. Mesmo após a abolição, a cultura negra continuou sendo alvo de repressão.

Um ponto de virada ocorreu na década de 1930. Mestre Bimba sistematizou a prática na Bahia e criou a Luta Regional Baiana. A partir dessa reorganização, a Capoeira passou a ter uma estrutura formal e foi apresentada também às camadas mais altas e à sociedade branca. Esse processo é considerado a origem da atual Capoeira Regional.

Em 1937, a Capoeira foi oficialmente descriminalizada. Gradualmente, passou a ser reconhecida como expressão cultural brasileira, manifestação popular e, posteriormente, também como esporte e arte marcial. Os estilos sistematizados se expandiram para grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, especialmente entre as décadas de 1950 e 1970.

Ao mesmo tempo, para diferenciar as práticas tradicionais — particularmente aquelas preservadas na Bahia — das formas modernizadas e esportivizadas, passou-se a utilizar o termo “Angola”.

A figura simbólica que consolidou a preservação e a base filosófica da Capoeira Angola foi Mestre Pastinha. Conhecido como o “pai da Capoeira Angola”, ele sistematizou e transmitiu sua filosofia, ética e concepção corporal. Seus ensinamentos continuam vivos através de diversos mestres e grupos.

Nosso grupo, “Nzinga”, pertence à linhagem de Capoeira Angola de Pastinha e segue atuando com profundo respeito aos seus ensinamentos.

Naturalmente, a Angola reúne muitas outras linhagens e mestres, cada qual preservando suas tradições dentro de suas comunidades e transmitindo-as às próximas gerações. Essa diversidade de formas de continuidade é o que revela a riqueza da Capoeira.

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Filme: Dança de Guerra / Jair Moura

Jogo de João Pequeno e João Grande. Mestre Noronha e Maré cantam. (1968)

Expansão Nacional e Internacionalização

 

Após a revogação da proibição em 1937, a Capoeira se expandiu rapidamente pelo território brasileiro. Em grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, entre as décadas de 1950 e 1970, surgiram numerosos grupos, e a Capoeira se consolidou como parte da cultura urbana.

 

No contexto das políticas culturais do Estado, a Capoeira passou gradualmente a ser reconhecida como “cultura tradicional brasileira” e “símbolo nacional”. Aquilo que antes era uma prática corporal negra proibida foi redefinido como expressão representativa da identidade do país.

 

A partir da década de 1980, mestres que emigraram do Brasil e praticantes estrangeiros que viajaram ao país para aprender contribuíram para sua difusão internacional. A Capoeira se espalhou pela Europa, América do Norte e Ásia, e hoje existem grupos em diversos países, praticando-a em diferentes línguas e contextos culturais.

 

Em 2014, a UNESCO reconheceu oficialmente a Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, confirmando o valor cultural da Capoeira não apenas no Brasil, mas em âmbito mundial.

 

Entretanto, essa internacionalização não representa apenas a difusão de um esporte. Como cultura marcada pela história da diáspora, a Capoeira continua transmitindo a memória ancestral e o espírito de resistência. Pessoas de diferentes países e culturas que se reúnem ao redor da roda também compartilham história e constroem diálogo.

 

Assim, a Capoeira se expandiu da África para o Brasil e do Brasil para o mundo, mantendo em seu núcleo a memória corporal da dignidade e da busca pela liberdade.

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Japão

Kyoto - Osaka

カポエィラ・アンゴーラ グループ インジンガ 京都・大阪 / Grupo Nzinga de Capoeira Angola - Kyoto, Osaka
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